Este é um assunto que em geral se joga para baixo do tapete: o assédio moral realizados por professores contra alunos. Convivendo ao lado de verdadeiros Mestres, (que graças a Deus são a maioria nas Faculdades de Odontologia) e que merecem o “M” maiúsculo, existem aqueles que abusam de seu poder para humilhar, de diversos modos, nossos jovens futuros colegas. Agem sem que ninguém veja, mas às vezes o fazem na frente de todos os alunos e até de pacientes da clínica universitária.Esses pseudo-educadores devem refletir que respeito não se impõe: se conquista e que humilhar pessoas, principalmente jovens indefesos é um ato no mínimo covarde. Será que fariam o que fazem na frente dos pais dos alunos? Duvido muito. A impunidade lhes dá uma falsa sensação de poder.
Esse tipo de atitude tem um nome na Legislação Brasileira: assédio moral que pode expressar-se das seguintes formas no âmbito escolar.
- agressão física
- agressão verbal ao aluno: usar de forma abusiva a autoridade, tratar de forma pejorativa o aluno com palavras de baixo calão
- ameaças aos alunos: aumentar o nível da dificuldade das provas, ameaçar reprovar a turma se não estudarem, ameaçar de expulsão quem opina em sala de aula.
- alegar de forma agressiva e sem prova que os alunos colaram, revistar de forma agressiva o material dos alunos.
- assédio sexual (esse é outro assunto-tabu nas Universidades, mas muito comum).
- comentários depreciativos, preconceituosos ou indecorosos:
- tratamento discriminatório por aparência, condição financeira e idade. Privilegiar alunos com maior facilidade de aprendizagem.
- rebaixamento da capacidade cognitiva dos alunos: comparar alunos de forma irônica, aconselhar alunos a abandonar curso alegando incapacidade do mesmo, enaltecer conhecimentos próprios, fazer comentários em público sobre dificuldades, desempenho e erros dos alunos.
- desinteresse e omissão: não repassar orientações para trabalhos e desinteresse ao ministrar conteúdo.
- uso inadequado de instrumentos didáticos para coerção e punição de alunos.
Os coordenadores e diretores das instituições devem estar atentos a essas práticas e tomar ação para coibi-las em seu campus, defendendo a classe odontológica ainda nos bancos escolares. O aluno que se sentir assediado deve procurar a direção da Faculdade e denunciar o agressor que é um indivíduo que precisa ser identificado, responsabilizado e orientado a procurar ajuda profissional para modificar esse comportamento nocivo e nada condizente com seu papel de Educador.
Às vítimas e aos algozes sugiro a leitura do livro Assédio Moral - A Violência Perversa no Cotidiano, da pesquisadora, psiquiatra e psicanalista francesa Marie-France Hirigoyen, 2001, Editora Bertrand Brasil.
Editorial do Jornal da APCD de São José dos Campos, edição de Junho de 2009
1 comentários:
Muito importante essa pesquisa,pois, este é um assunto pouquissimo comentado apesar de muito existir, infelizmente fui uma vitima a um ano deste ato que irá deixar marcas em minha vida! A sensação que tenho é que perdi minha propria identidade por não confiar em mim, em meus ideais, hoje não tenho mais objetivos de vida.
Não consegui me foramar, na sala de aula não era orientada como os demais alunos, pedi ajuda ao coordenador que também era meu professor e ele acabou ficando do lado desta professora, os outros alunos presenciaram a injustiça mas o medo era maior de intervir em minha defesa e ser prejudicados pois ela deixava isso de modo claro!
Bom! Parabéns por essa matéria e gostaria de ver outros artigos sobre esse assunto.
Daniela Nunes
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